terça-feira, 22 de novembro de 2011

* * * Mar para Enjoar * * *

- Dia 19 de Novembro, foi dia de pesca.
As consultas frequentes ao Windguru, indicavam um vento fraco, vaga de 3 a 3,4 metros e um período de vaga entre os 14 e os 17 segundos. Belo. Belo mar para enjoar.

Foi isso que quase me aconteceu, por volta das 9 horas, ao ir dentro da cabine do "Makaira" buscar um sanduiche e um sumo... mal baixo a cabeça... é pá... uma má disposição terrível (é verdade que a coisa já se estava a fazer sentir). Pensei... é hoje que a coisa se dá.

Fui comendo e bebendo o sumo (com gás), começaram então a aparecer uns "arrotos", a má disposição começou a querer abandonar o corpo, ao mesmo tempo que chegava uma vontade enorme de pescar. Antes isso. Tinha tomado o comprimido do enjoo como faço sempre. A noite até tinha sido bem dormida. Não houve copos, nem garrafas, nem nada disso. Foi um comportamento exemplar. Terá sido do pastel de Nata? Não sei. Já passou e pronto.

- A pesca foi dura. Devido ao estado do mar que vos apresentei anteriormente, a ferragem do peixe tornava-se difícil. O Peixe consegue comer sem que o pescador perceba que o está a fazer ( com outros mares também isso acontece (peixe pequeno)). Mas neste dia estava ainda mais difícil. A adicionar a esta vaga, o "Makaira" decidiu efectuar uns "piões", comandado certamente pela direcção desta que alterava, ou pelo sr. vento, que aparecia a dar um ar da sua graça de vez em quando. Este "baile" quer em cima quer em baixo, proporcionou magníficos "arrochanços" e o consequente abandono de material no reino de Neptuno.

Eu tinha dito ao Ernesto no inicio da jornada, enquanto estávamos a preparar as canas, que a ponteira de amortecimento da minha, devia de ser trocada, ao que ele me respondeu " estás à espera  de quê?". Talvez ainda aguente, disse eu.

Durante um desses "arrochanços"... foi-se. Foi um arrochanço, mas podia ter sido um peixe bom. Certamente que teria acontecido o mesmo. Ficou a lição: "Se pensamos ou desconfiamos que algum material não está em condições, então devemos actuar imediatamente de forma a que  fique operacional. Este comportamento pode ser a diferença entre a captura ou não de um grande exemplar". Espero ter aprendido.

- O Resultado do nosso trabalho resumiu-se a: 8 Pargos, 7 Douradas, 3 Abroteas, 2 Besugos, 2 Fanecas, 1 Safia, 1 Coupa (Podem ver o desespero para guardar este tipo de peixe; não tenho nada contra as fanecas, não tenho nada contra as safias, não tenho nada contra as choupas, mas comparados com os "lutadores" pargos e douradas,... enfim, é a crise).

Nenhum dos exemplares capturados foi merecedor de foto. Peixes a rondar o kilo e alguns nem isso.
Fica a foto do resumo desta dura jornada  que demos por terminada por volta das 16h00, mas que valeu muito a pena. A companhia do mar, do João Maria, do Ernesto e do Makaira, são fantásticas.



Por mais estes bons momentos passados na minha vida, ficam os agradecimentos aos amigos.

Boas Pescas
TóZé

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Peixes Teimosos

Olá Pessoal

- Dia 22 de outubro foi um dia feliz. Foi dia de pesca. Começou com a instabilidade das condições atmosféricas, e consequentes consultas do windguru, para tentar saber como ia estar o estado do mar, para este dia. A consulta que se fazia agora, após 12 horas (WindGuru Gratuito), já não era bem a mesma coisa, se por uma consulta dava para sair, a seguinte dizia que devíamos de ficar em casa a tratar do material. Foi neste estado de certeza que ficámos até às 20.20 de sexta-feira, hora em que confirmei com o Ernesto a jornada de Sábado 22.

- Inicio sem pressas como sempre.... passagem pela pastelaria, para.... isso mesmo  .... o pastelinho de nata e um cafezinho...... hummm... estavam mesmo bons.

-Inicio da ação de pesca por volta das 9h30 num  pesqueiro próximo de terra. Os relatos dos dias anteriores, não nos davam boas perspectivas. Eram até mesmo desanimadoras.... durante a última semana não se estava a apanhar peixe, não era o relato de um ou outro companheiro, mas de todos, correram pesqueiros de norte, de sul.... os resultados foram sempre os mesmos, peixe pouco.... muito pouco.

- O mar estava "manso", o vento na casa dos 16 a 18 Km por hora, o que facilitou a colocação do "Makaira" em cima do pesqueiro selecionado pelo Ernesto.

- Bastou-nos uma hora para confirmar que os relatos dos companheiros pescadores da última semana, estavam correctos. O Peixe atacava a isca, mas... a medo e mesmo assim de forma irregular.
Os sinais estavam dados, havia que mudar. Após telefonema do Ernesto para um companheiro, que andava por mares um pouco mais fora, decidiu mudar.

- Um pesqueiro na casa dos 52  metros e com mais 20 que o anterior; estava apresentado o nosso novo local de trabalho. Sim.... local de trabalho.... e com ordenado mínimo... ou nem isso.

- A Jornada que durou até às 15h00, (mais ou menos), pautou-se por 6 Douradas e um parguete- Uma do João Maria (Que iniciou a jornada com um peixe .... mas um grande peixe, que acabou por entocar... seria um Mero? Talvez..... continua no mar com um piercing) e 2 para mim, tendo a maior 1,690Kg (para verem a miséria) que se mostra.

O Nuno Mira lutou com uma moreia até à beira do barco mas.... soltou-se, deixando o pescador triste e com uma  ponteira  partida. O mesmo me aconteceu a mim, (só que consegui não partir a ponteira ) com um animal exatamente igual. Até penso que seria o mesmo. Os restantes exemplares, ou seja 1 parguete e 3 douradas a pertencerem ao Ernesto, mas com tamanhos pequenos (1Kg por aí). Apesar de ter registado uma luta forte, com um peixe que não quiz colaborar... soltou-se o malvado. Ficou a adrenalina do momento.

- O Mar estava a mandar-nos embora. A ficar com a vaga maior, o vento a crescer, estava na hora de rumar ao porto.

Iniciou-se o regresso na velocidade adequada ao mar, enquanto os "trabalhadores" retemperavam o estômago com o resto do lanche.

Na marina estava um fim de tarde magnifico, entre o carregar do estojo para o passadiço, e as picardias do João e do Nuno, ainda houve tempo para entregar às gaivotas e aos peixes (que sempre andam pela marina) o resto do isco. Foi uma festa. Elas  faziam uma algazarra, eles.... mudos, lutavam entre sim por um lanche ajantarado.

- Foi com desejo de ficar que me despedi do amigo Ernesto, mas a jornada tinha terminado. Não foi uma pesca de arca cheia, mas foi um dia bem passado, na companhia de amigos com uma paixão idêntica à minha... A Pesca.

Até à próxima .
P.S - Tentativa de cumprir o novo acordo ortográfico, será que consegui?

TóZé.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

* * * Trabalho até ao Insucesso * * *

Olá Pessoal

- Aqui estou para mais um relato de jornada de pesca com a equipa habitual no sítio do costume. A equipa: Ernesto Lima, João Maria, Nuno Mira e Eu, o Local: Sines.

- Para quem vai lendo estes relatos (mesmo sem os comentar), já percebeu que o objectivo das nossas acções de pesca é o Pargo, embora sejamos prendados de vez em quando com; Douradas, Sargos, Sargos Veados, etc.

- Este tipo de pesca, dá-nos um enorme prazer, porque é feita sempre sobre "tensão", estamos sempre há espera do Pargo grande, que dá uma luta extra ordinária. Para se atingir este objectivo, a quantidade de isco (sardinha) utilizada, ronda os 14Kg por jornada (4 Pescadores) + as cavalas que eventualmente vão entrando e que também são transformadas em isco.

- Como em todos os outros tipos de pesca, existem dias que a geleira fica cheia e outros nem por isso. Embora o entusiasmo dos "Atletas" não esmoreça perante as dificuldades que vão surgindo.

- Foi o que aconteceu nesta jornada de 10 de Setembro. Trabalhámos com entusiasmo, com afinco, com crer, mas os resultados... foram escassos.

- Para um pesqueiro a 50 metros , com uma marcação fantástica na sonda, os nossos amigos não subiram ao poço do barco.

- Iscadas com 2 postas de Sardinha, com 3 postas de Sardinha, com 1 posta, com meia Sardinha, com filetes de cavala, com camarão... o resultado foi sempre o mesmo...roubo das iscas nas 4 canas... capturas do que se pretendia... poucas. Salvou-nos o Ernesto com 4 ou 5 Peixes (1 Pargo, 1 Bica, 3 Douradas), o Nuno Mira com 1 Dourada e 1 Moreia e Eu com 1 Dourada. O João Maria, que é celebre pelos Sargos Veado, ficou em branco.

- Passo então a mostrar algumas das fotos tiradas (foi pena o Ernesto não ter querido tirar uma com o Pargo- mas o rapaz agora só quer tirar fotos com peixes de 4 Kg para cima.( Está mal habituado!!! ou bem não sei.)
A Dourada do Ernesto

A Dourada do Nuno Mira

A Moreia.... brrr....Bicho Feio

A Dourada do TóZé

Por hoje é tudo, com muita pena minha, pode ser que para a próxima seja melhor
Até lá.
Boas Pescas
Tózé



terça-feira, 16 de agosto de 2011

* * * A Pesca dos Teimosos * * *

- Até nem era para ir. Tinha combinado com a minha mulher fazer durante o mês de Agosto umas "coisas" em casa, que vão sempre ficando para trás ao longo do Ano. Foi isto que tinha transmitido ao Nuno Mira e ao João Maria, ou seja... "Não contém comigo em Agosto". Mas o João foi persistente; invocando o feriado nacional em Agosto (15), mais o facto que em Julho também não tinha-mos ido, devido a acontecimentos na vida do João que justificaram plenamente a minha ausência e a dele das jornadas de pesca. O falecimento do pai dia 21 de Julho, inviabilizou a jornada marca para 23 de Julho. Como devem calcular, a disposição não era favorável ao cumprimento do calendário.

- Nestas alturas devemos apoiar os nossos amigos, porque no meio de tanta coisa má, podem precisar de nós, podem precisar de uma palavra, ou seja... podem precisar.... e para isso, os amigos, estão onde devem estar; PRESENTES.

- Sabendo isto, e pela necessidade que certamente sentia em "limpar" a cabeça, convenceu o Ernesto a sair dia 14 de Agosto e a mim também.

- Feita esta pequena introdução justificativa, .... cá vai.

- O João e o Ernesto, combinaram encontrar-mo-nos na Marina , entre as 7h00 e as 7h30 de Domingo, mas o meu amigo João, no que diz respeito à pesca, não tem preguiça para se levantar e então vá de combinar às 4h00 à porta da minha casa. A viagem decorreu em amena cavaqueira até Sines onde chegámos para cima de cedo (6h20).
Era muito cedo relativamente à hora combinada com o Ernesto, mas... teve uma coisa boa; podemos desfrutar da saída daquele pessoal todo, que tal como nós iam à procura de uns peixinhos.

- Uns riam, outros discutiam sobre o material utilizado, outros ligavam aos mestres (MT) a dizerem o local onde se encontravam e o que deviam fazer, uns iam carregados como burros, como se fossem passar uma semana no Mar, outros apenas uma cana, uma sacola e um balde, outros com carrinhos onde transportam todo o material necessário à jornada, enfim, o material utilizado pelos diversos tipo de pescadores desportivos. Todos transportavam no estojo o desejo mais elevado de apanhar peixes... muitos... e grandes!!!!. Seria? É essa incerteza que transforma as jornadas de pesca tão interessantes.
Toda esta azafama contrastava com a acalmia que o Mar apresentava neste dia.
É um cenário que nem sempre temos oportunidade de observar, umas vezes porque também estamos no interior do cenário (e isso dificulta) e outra porque.... mesmo estando de fora, não estamos com a nossa sensibilidade para aí virada.
Ficou a experiência de uma coisa simples da vida que foi devidamente vista. Gostei.

- 7h20. Estava na hora de acordar o "dorminhoco" Ernesto. A tarefa foi executada pela voz "sensual" do João Maria; " Serviço de Despertar, Bom Dia". Passados alguns minutos apareceu , bem disposto como sempre. Os cumprimentos da praxe e "É pá se quiserem vão entrando e montem as canas, que eu vou só ali à pastelaria tomar o pequeno almoço". A Pastelaria dos pastéis de Nata? Perguntei. É essa é, respondeu o Ernesto. Musica para os meus ouvidos, a pesca estava a começar bem. Deixemos as canas para depois e vamos lá então. Estavam maravilhosos como sempre.

- Regresso à  marina e montagem das canas já a bordo do "Makaira". Após esta operação, vá de navegar até ao pesqueiro.
O Ernesto tinha falado "É pá não se tem estado a apanhar nada de jeito, vamos lá a ver o que se consegue fazer.....". Mói-te... pensei. Um pastel de Nata já eu apanhei, o resto.... logo se vê.

- Fundear no pesqueiro com a precisão do Ernesto, seguida de esclarecimento: "Eu tenho só a zona marcada e não o pesqueiro propriamente, por isso temos que procurar". Foi o que fez. Após uns 20 minutos (mais coisa menos coisa) o "Makaira" estava no sitio pretendido. A precisão foi alcançada.

- As iscas utilizadas foram as do costume; Sardinha, Cavala e camarão (pouco).
Começámos então por volta das 9h00 o nosso trabalho. Como sempre iniciou-se o roubo das iscas.
Ao fim de uma hora (talvez), apareceu o primeiro "Carapau" (nada do que se pretendia), marcaram presença também uma ou duas "garoupas da rocha", umas "Bogas" (A comida das "Gaivotas"), até que perto do meio dia, a cana do Ernesto vergou forte. Era peixe grande. O Ernesto iniciou então a luta, mas ao fim de alguns minutos.... piimm, partiu o fio. Passados uns minutos comecei na brincadeira "Estás a ficar nervoso". (Estava a brincar mas a mim e ao João também viria a acontecer o mesmo, ou seja... peixe a partir o fio após alguns minutos de pesada luta).

- A hora estava avançada e peixe de jeito nada. Nisto o Ernesto ferra um parguete

- Poucos minutos depois iniciou nova luta; desta vez à Cabeçada


A coisa estava a aquecer. O Trabalho estava a dar resultados. A cana do parceiro à direita do Ernesto dá também um ar da sua graça.

- O João também tirou 1 dourada, 1 Pargo e 1 Sargo Veado (Obrigado a tirar foto). Mas já não me lembro da ordem.


- Por volta das 17h00 foi a minha vez de iniciar uma luta à cabeçada


- Só pesava 2,8 Kg não era grande coisa, mas ... era o que se podia arranjar.
Perto da 18h00, o regresso ao porto, com a foto do resumo da jornada.




E a má noticia "Não há agua (doce) na marina". O Ernesto ficou bastante aborrecido porque já viram o que é querer lavar o material (canas, carretos) e até o próprio barco, já sem falar na necessidade de um banhinho antes de iniciar o regresso a casa.

- Deixámos o Ernesto nesta situação embaraçosa, mas conscientes que nada podíamos fazer para ajudar o nosso amigo.

Foi assim que terminou mais uma jornada de pesca dos teimosos.

Ps: Estou convencido que a ingestão de pastéis de nata tem influência na captura de peixe.
      Na captura não sei, mas.... aumenta em muito a minha boa disposição.


Boas Pescas e Até Sempre



Toze

sexta-feira, 1 de julho de 2011

* * * Pesca sem Espectativas * * *

- A pesca estava agendada para dia 29-06-2011 no "Makaira" através de email, tinha combinado com o Ernesto, voltar a falar no dia 28-06-2011 para afinar os promenores, ou antes se fosse caso disso.

- No dia 27 por volta das 12h o João Maria, ligou a perguntar; "Como é que está isso da pesca com o Ernesto?" Olha, ainda não está nada confirmado, no entanto, penso que brevemente vamos ter noticias, mas o Windguru apresenta um vento um pouco elevado, e o Ernesto não costuma sair com essas condições; respondi eu.

- Por volta da 15h00, toca o meu telemóvel apresentando no visor um numero desconhecido. Atendi como o faço sempre. Era o Ernesto. A dizer exactamente o que eu tinha transmitido fazia pouco, ao João.

- Com alguma insistência minha, lá acedeu ao pedido (o que os amigos fazem uns pelos outros), mas foi avisando... " É pá... isso é mar cachão, lá fora nem pensar.... só se ficarmos ali pelos pesqueiros mais encostados a terra... podem-se fazer boas pescas nesta altura do ano, se o peixe já estiver encostado.
Olha Ernesto, não estejas preocupado.Respondi : eu e o João Maria só queremos espairecer.... comer um pastel de nata e o resto logo se vê.

Após esta pressão, e com um espírito aberto, esperando um dia de convívio entre a  brisa marítima, o Makaira e... nós... é claro, ficou agendada a comparência na marina por volta das 7h30 8h00.

- Cumprimos o horário escrupulosamente (como sempre). Andava o Ernesto a passear ao pé dos portões da Marina, certamente a desfrutar da paisagem, do cheiro do mar, esperando a chegada dos companheiros de jornada.

- Após os cumprimentos normais, perguntei: "Então, vamos buscar as iscas?", não, já está tudo tratado, respondeu. Vamos carregar as coisas para o barco e... vamos embora. Olha, o meu pastel de nata já se foi (pensei eu). Como já tinha comido um em Alcácer do Sal, também não era grave.

- Após esta conversa (fiada) vamos ao que interessa.

- Procura de pesqueiro ( o mesmo dos ingleses) , ver se havia actividade, ver a deriva do barco.... tudo visto ..... ferro para baixo.... ajeita-te... espera mais um pouco.... já está.

Acção de pesca.

Lá começaram a comer... muito lentamente.. ao fim de... não sei bem, talvez uma meia hora sai o primeiro parguete ( não chegava ao Kg e por isso sem direito a foto).
O pesqueiro foi mantendo a actividade durante todo o dia de forma a não permitir a mudança de local.
Foi-se tirando uns carapaus, uns sarguinhos 2 sargos veados como o do João (que se mostra).

- Foi evoluindo ao logo do dia, entraram mais um ou dois parguetes, até que por volta das 14h30 o mar começou a ficar um pouco mais agitado, a dificultar a acção de pesca, e decidimos; vamos mandar as iscas mais uma vez e quando vier para cima, vamos embora.

- Olhei para o tabuleiro das iscas, estava um camarão e umas postas de sardinha, vá de iscar, sardinha no anzol de cima e o camarão inteiro no debaixo. Mal as iscas chegaram ao fundo, vi o vibrar muito subtil da ponteira, tentei a ferragem, consegui. Senti o peixe, primeiro parecia colado ao fundo !!... (houve quem disse-se "isso é o fundo"), depois uns safanões valentes e começou a oposição de vontades; o peixe queria ir para o fundo, eu queria que ele viesse para cima. Leva fio... recupera fio... os companheiros perceberam que se tratava de um bom exemplar e começaram a fazer tudo para ajudar: O João levantou a cana (não fosse o animal enrolar-se na pesca dele). O Ernesto de chalavar em punho.... a quem eu perguntava; estou a fazer tudo bem? Estás pá...continua. Foi a resposta. A luta continuou até mostrar o peixe, que com muito prazer partilho com vocês.


- Após a captura (no anzol com o camarão), foi arrumar o estojo e iniciar o regresso ao porto, fazendo algumas reflexões sobre os nossos comportamentos na acção de pesca, a persistência, o mudar ou não de pesqueiro, as maneiras de pescar, enfim... o resumo da jornada.
- "Abandonámos" a companhia do Ernesto por volta 16h00 para iniciar o regresso a Évora, não sem antes tirar a foto do resumo da jornada que apresento.


- No regresso iniciei a resolução de outro problema. O Pargo acima apresentado tinha 4,200Kg e tinha que ser devidamente arranjado antes de ser degustado. Então foi assim:

1º Cortar as barbatanas - Com uma tesoura de cozinha e as mais fortes com uma tesoura de podar.

2º Escamar - Com o escamador normal, as escamas saiem bem, são grandes e o peixe estava fresco.

3º Tirar as tripas e guelras - Com uma navalha e faca bem afiadas o processo decorreu de forma trabalhosa mas dentro do esperado. Após a lavagem com uma mangueira no quintal, devidamente limpo no interior e no exterior, aproximava-se a parte mais difícil; Cortar o peixe.

4º Seguindo uma sugestão do amigo Ernesto ( Habituadíssimo a estas lides), com uma faca alta e bem afiada, fazendo umas incisões no sitio que se quer cortar, depois encostar a faca na espinha central e com um martelo de borracha bater com força na faca (convem ser em cima de uma tabua forte (no meu caso, foi uma tabua alta de madeira de freixo) porque se fizerem esta operação em cima de uma mesa, podem danificar a mesa). Olha!!!.... as postas ficaram exactamente como eu queria.

A da cabeça (com gola) foi logo para o jantar em família, acompanhada de legumes cozidos, branco fresquinho e alguma vontade. Não demos à conta. As restantes foram refrescar ideias, esperando a sua vez de serem trabalhadas para presentearem outros comensais ou os mesmos! Quem sabe.

Até à próxima
Boas pescas.



segunda-feira, 20 de junho de 2011

* * * Os Bons e os Maus * * *

- Há uns tempos atrás, fiz uma entrada no blog, sobre o que era ser pescador. E desta vez estou aqui para escrever não sobre pesca (ou jornada de pesca) mas sim sobre pescadores.

- Para mim os pescadores são como a música. Só há dois tipos; a boa e a má. A boa é aquela que eu gosto
e a má .... a que não gosto.

- Com os pescadores é um pouco assim também... os bons são os que eu gosto e os maus os que não gosto. Será que é assim? Talvez não seja... os pescadores são pessoas, e como qualquer pessoa têm defeitos e qualidades.

- Nos maus os defeitos saltam....e são apresentados de forma clara e nalguns casos temos mesmo dificuldade é achar as qualidades.

O não cumprimento das horas marcadas; não ajudar o companheiro durante a jornada, quando este está aflito (por um motivo qualquer); uma coisa a que eu chamo "GARGANEIRISMO" e o não cumprimento de compromissos assumidos, são características do "tipo".

- Mas talvez o pior deles seja o "garganeirismo". É uma maneira de estar na vida. Pauta-se por: Nada chega e tudo o que se tem é pouco. O praticante do garganeirismo tem um lema; "Mais vale fazer mal que sobrar".

- Quando uma equipa de pesca é "presenteada" com um praticante desses.... então.... certamente vai dispor de um mau ambiente, quer durante as jornadas, quer fora delas.
Se somarmos esta maneira de estar, a uma língua solta, que fala sem pensar e por conseguinte não pensa o que diz, "disparando" em tudo quanto é direcção, então,... como costumo dizer "Temos o Baile armado".

- Geralmente são indivíduos que não honram os compromissos assumidos, e isso... é PÉSSIMO.

Compete aos companheiros deste tipo de pescadores tentar mudá-los? Fazer ver a incorrecção das suas atitudes e comportamentos bem como o mau estar causado aos outros companheiros?
Serão capazes, este tipo de pessoas, alterar o seu comportamento? Não sei. O que sei é que me irritam profundamente. Ainda bem que não tenho ninguém assim na minha equipa.

Os Bons

Os bons são aqueles que partilhar uma jornada de pesca, deixa de ser um desporto e passa a ser um prazer. Comportam-se exactamente de forma oposta aos anteriores. Partilham tudo; material, conhecimento, histórias, lanche, e fundamental; em todas as jornadas é sempre distribuída uma dose generosa de amizade.
E claro está, honrando sempre os seus compromissos. Defeitos? Sim certamente. Mas dificilmente detectados (pelo menos na actividade lúdica).

É assim o pessoal da minha equipa. Bem hajam.

Ía-me na alma e tinha que ser dito.

No passado Sábado fui com o João Maria à pesca com o mestre Vitor.
Uma pesca sem história, com alguns besugos,(não sei bem quantos), um safio pequeno (1Kg - mais ou menos), Uma bica pequena (1 Kg), nada que merecesse fotografia. Ficaram apenas registados primeiro na memória e depois num jantar (Sábado a Bica) e no almoço (Domingo os Besugos). Claro está, tudo isto em família acompanhados de boa disposição e um "branquinho fresquinho).

Até à próxima
Boas Pescas
TóZé

segunda-feira, 30 de maio de 2011

* * * Pensar a Pesca * * *

Olá pessoal

- Dia 28 de Maio, efectuei uma saída à pesca com o mestre Vitor.Os cumprimentos da chegada e a  apresentação do futuro mestre do barco, o Snr.Carlos. O Vitor é o Comandante de um iate de recreio, e parece que o novo dono, apesar dos seus 8x anos, gosta muito de passear, por isso o Vitor vai ter que cumprir este verão em pleno a função para a qual foi contratado. O que o levou a ter que arranjar alguém capaz de assegurar as saídas de pesca no Delfins.

- Bom, mas isto são pormenores dignos da revista "Caras" ou outra do género e nada tem a ver com a essência da pesca.

- Desta vez a nossa equipa foi um pouco alterada, o Nuno Mira devido a compromissos familiares trocou com o Miguel Caetanito (já não ia com ele à pesca à algum tempo). Ficámos assim privados do nosso fotografo Presunto ( Alcunha do Nuno Mira).

- A saída para o mar foi para lá do cedo, foi cedíssimo.. 6h00. Aproveitei o tempo de deslocação até ao pesqueiro, para ir montando a cana, ao mesmo tempo que pensava... faço pesca aos "diversos"... não faço..!!! a sardinha é pouca.... é pá... vou pescar com a técnica EL até às 12h00, ou até acabar a sardinha, e depois logo vejo. Assim pensei e assim fiz. A montagem EL estava feita, meia dúzia de sardinhas para iscar... ok. Vamos lá tentar (Desta vez não tinha o Ernesto ao lado, que vai falando, vai animando, vai corrigindo)... bem, vamos ver.

- O primeiro pesqueiro foi alcançado por volta das 7h00. O parqueamento em cima do pesqueiro foi rápido !!!... muito rápido mesmo.
Pensei! O peixe anda aí misturado com a água... lebres não devo de apanhar. Estivemos no pesqueiro cerca de uma hora, o peixe comia mal... os ataques eram muito espaçados, bicadas pequenas... decidiram ir dar de comer aos peixes para outro lado.

- Novo pesqueiro... nova esperança... vá de iniciar a acção. O João Maria iniciou a pesca em formato "diversos", o Miguel Caetanito é sempre dessa forma que pesca e desta vez não foi diferente.

- A sardinha ia para baixo agarrada aos anzóis que eram abandonados ao fim de pouco tempo. Regressavam ao convés...polidos, polidos. A teimosia tinha-se apoderado de mim, vá de insistir,.. nas minhas costas o João Maria tirava o 1º de 3 parguetes e eu nada. Passados 15 ou 20 minutos tenho o primeiro ataque de peixe em condições. Era uma luta conhecida, a cana estava toda enrolada, a embraiagem do carreto estava bem afinada e a demonstrar a sua qualidade cumprindo a missão para a qual foi criada, comecei a sentir o meu coração a bater aceleradamente, os olhos postos na ponteira, toda a cana gemia enquanto eu começava a suar, não do esforço mas da adrenalina. O meu parceiro do lado, o Snr.Carlos dizia eh pá esse é grande... tenha calma... não aperte muito com ele.
A luta durou 5 ou 6 minutos, o tempo de percorrer aproximadamente 20 a 25 metros. O "bicho" subia e subitamente levava mais fio, depois voltava a subir, nisto manda uma porrada violenta.... e senti a falta do peso e da luta maravilhosa que me estava a proporcionar.... a adrenalina deu lugar à tristeza. Começaram os pensamentos de análise... "O que é que eu fiz de mal?" Não sei. Olha... mais um que fica para o Ernesto.

- Como tristezas não pagam dívidas... vá de verificar os fios todos. Estava tudo intacto. Nada se tinha partido. Apesar da tristeza de ter perdido o peixe, fiquei contente porque o trabalho de casa tinha sido posto à prova e tinha passado: Empates, ponteira de amortecimento; destorcedores... tudo estava bem. Então o que é que falhou? Qual foi o erro que cometi?
Nesta altura senti a falta do Ernesto. Teria certamente feito a análise correta da situação e eu teria ficado esclarecido,... erro ou azar? Penso ter trabalhado bem o peixe, a embraiagem estava bem afinada!!! estaria?
Soltou-se porque merecia a liberdade depois da luta apresentada? Uma vez que não consegui encontrar outro erro, vou querer acreditar que assim tivesse sido.

- Entretanto nas minhas costas o João Maria tira uma Bica com 2 Kg que se mostra.

- Depois outro ataque na minha cana e sai um Safio com 1 Kg ( Não merecia foto).
Entretanto a sardinha acabou e comecei a iscar com cavala, mas os ataques diminuíram substancialmente.
O pessoal com as montagens para os diversos continuava a tirar safias e choupas a bom ritmo. Olhei para o relógio.. 11h30. Olha vou mudar para os diversos também.

- A aguagem estava incerta, quer em direcção quer em intensidade o que dificultava a acção, mas tinha que tentar, vamos ver com estas montagens como vai ser...pensei.

Decidi iscar com camarão descascado (bocados) e assim que chegava ao fundo... eles lá estavam... ferozes.. e cheios de fome. Comecei a tirar, safias, choupas enfim, ... afinal aquilo  que a montagem se destinava. Nisto a ponteira move-se de forma diferente, inicia-se uma subida com uma batida diferente das que até aí tinham acontecido.... era uma abrótea de dose (300-400gr) sem direito a fotografia como é óbvio
Volta a iscar, vai para baixo, mais uns peixes pequenos e mais um ataque, este forte ( nada como o que descrevi atrás, mas mais forte que o das safias e das choupas. saíu uma abrotea de Kg que se mostra.

- Depois mais um ataque forte, luta conhecida, e .... sobe.....sobe... vi a cor do bicho... era um parguete, perto do kilo, nada de extraordinário, mas..... tão perto e tão longe... desenbarbelou-se mesmo à chegada.

- Nisto nas minhas costas o João tira uma dourada com 1,7Kg que se mostra.

O Miguel Caetanito tinha atingido o peso (10Kg) safias e choupas.

O Mar começou a ficar com a vaga espaçada mas grande, a querer virar as coisas todas que estavam a bordo. Olhei para o relógio.... 14h00. Olhei para o João... vamos embora não... pois pá.... respondeu. Por hoje já chega.

- Vá de arrumar o estojo e iniciar o regresso ao porto.
No regresso pensava; " Se tivesse sardinha as coisas teriam corrido de forma diferente?
Quando estamos com outros pescadores com objectivos de pesca diferentes dos nossos o que devemos fazer? Dedicarmos ao nosso tipo de pesca ou alterar para diversos ? Fiz bem em ter alterado as montagens? Enfim uma data de pensamentos que são mais dúvidas que outra coisa.

Deu pica aquele bicho que fugiu.
Como diria o Nuno Mira "DEU LUTA".

- Como o regresso foi cedo. (18h30) em Évora, ainda deu para fazer uma caldeirada.
Foi o jantar em família a rematar mais uma magnifica jornada de pesca.

Aos companheiros. Obrigado.
Até Breve